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Pessoas que moram ou moraram na Rocinha contam que a comunidade recebeu seus primeiros habitantes logo após a II Guerra Mundial, vindos de Portugal, França e Itália, países cujas atividades econômicas foram duramente atingidas pelo conflito. Aqui chegando, estes pioneiros passaram a viver da agricultura. Possuíam pequenas roças e vendiam suas produções no povoado vizinho (a Gávea). Daí surgiu o nome Rocinha. Mineiros e migrantes da Região Nordeste, chegados em meados dos anos 50, fomentaram o crescimento populacional e a ocupação dos morros cariocas.
Fugindo da seca e da fome, atraídos pela industrialização do sul e pelas leis trabalhistas que, na época, praticamente se restringiam às áreas urbanas, os migrantes fizeram a população do Rio de Janeiro pular de 1,4 milhões de pessoas, em 1930, para 2,5 milhões em 1950. De 50 para 60 o fluxo da migração interna se manteve nas mesmas proporções, e as cidades do sudeste do país, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo, experimentaram uma verdadeira explosão demográfica. Em 30 anos, o Brasil deixou de ser rural para tornar-se urbano, mas as cidades, carentes de infra-estrutura, não estavam preparadas para receber tantos moradores. Logo os migrantes descobriram que, para sobreviver, precisavam morar perto do trabalho e, sem alternativa, partiram para a ocupação dos morros e, mais adiante, a criação de bairros populares como a Rocinha.
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